domingo, 14 de novembro de 2021

Imagens devastadoras em lixão dão rosto à fome no Brasil

 

Falta comida na mesa de milhões de brasileiros. Com queda na renda, persistência do desemprego e inflação que não para de subir, o problema da fome se agrava e obriga famílias no país inteiro a passar por situações degradantes para sobreviver. Flagrantes ilustram este drama, como a busca desesperada por ossos, sobras de peixe e comida vencida. Para uma parte desses desassistidos, resta procurar renda e comida no meio dos lixões que persistem em 2.612 cidades espalhadas pelo território nacional, apesar de leis e programas tentarem erradicá-los.

Essa dura realidade está presente principalmente em cidades médias, como Pinheiro, município situado no Maranhão, a 112,9 km de São Luís, onde fica o lixão da Piçarreira. Localizado na microrregião conhecida como Baixada Maranhense, o povoado tem cerca de quase 100 mil habitantes. Em Pinheiro, dezenas de catadores dão rosto à fome que avança no país – eles disputam com urubus os restos de comida que encontram; trabalham sem proteção; e enfrentam as situações mais insalubres, em cenas devastadoras que se reproduzem há décadas. Metrópoles.


Pela lei que instituiu o Marco do Saneamento, em 2020, locais como o lixão registrado por esta reportagem não poderão mais existir no Brasil até 2024. Em 2019, já na atual gestão do governo federal, o Ministério do Meio Ambiente lançou um programa de financiamento chamado Lixão Zero, que investiu pouco mais de R$ 100 milhões para ajudar a fechar 644 lixões até o momento, 19,9% do total.

Até agora não houve esforço no sentido de melhorar essa estatística no município maranhense governado pelo prefeito Luciano Genésio (PP). Diariamente, caminhões e tratores da prefeitura vão ao lixão jogar todo tipo de material reciclável e orgânico, incluindo restos de animais. No local, também são descarregados caminhões limpa-fossa de empresas particulares, que despejam dejetos humanos em uma área de passagem da comunidade e próxima de rios onde há atividade de pesca como parte da alimentação das famílias de catadores do bairro Cidade das Águas.

FOTO: JOÃO PAULO GUIMARÃESFome

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